Este texto eu criei usando o “eu” feminino. É uma brincadeira, uma escrita real porem criativa, solitária no sentido de sem verdade. Mas real no sentido de não ser mentirosa. Uma contradição arbitraria, para o blog.
Meu nome é Mary. Deus me fez para ser um laboratório de emoções; tristezas, alegrias, medos, paixões e tantas outras coisas. Todas elas são conservadas dentro de mim. Exatamente por isso que não ligo para quando as pessoas me chamam de dramática, fantasiosa, medrosa, tímida. Eu sou o que fui feita para ser; um reservatório de impulsos, guiados por um instinto. Um cérebro limitadamente pensante. Uma bobagem tentando ter validade ancestral. Uma filosofia paranóica.
Eu tenho uma vida mediana. Nasci para ficar em cima do muro, entre a felicidade e a utopia do auto abandono. Sofrer sem contar. Ter sonhos e acordar sem eles. Adoecer e buscar a fé para melhorar. Comer, dormir, transar e sempre amar.
Ontem a noite eu perdi parte da minha verdade. Na minha cara pálida de pele manchada, jogaram rajadas de um ego cortante, senti em meu rosto um tapa, de uma mão invisível feita de cacos de vidro.
Meus ouvidos foram receptáculos de palavras cheias de moléstias, coisas como; “você esta assim porque sabe que nunca diria que te amo, como amo a outra”, “nunca faria por você o que estou fazendo por ela”. E mais uma vez eu tive sentar minha ânsia e calar o meu desespero. Como todas as outras vezes eu precisei ser sensata, porque se eu não entendesse que o ego dele precisava dizer aquilo, ninguém mais entenderia. E seria catastrófico. Para mim, para ele. Para o nosso mundo co-criado e espiritualmente doente.





