Eu fui conduzido por caminhos estranhos, e tive minha mente petulante como guia.

Houveram muitos momentos de risos dopados, sempre na madrugada quando meu romance deleitava-se em letargia. Ele dormia.

Minha sensibilidade cresceu nesses longos anos em que morri para as minhas vontades. Fui agraciado com amigos gentis e espíritos de pessoas mortas. Nenhum deles supriu, eles não eram remédios.

Quase não tive calafrios, mas roubaram liquido da região da minha espinha. Tomei partido das sombras porque nunca compreendi a luz.

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Nem todas as rosas eram iguais, e eu sinto que Peter Doherty falava disso em algumas de suas músicas. Mas ele gostava de todas, porque ele as mantinha por causa de seus espinhos. Ele gostava de sangrar, ele era grato às rosas, mas eram os espinhos que ele amava.

Nunca importou com o fato das rosas serem iguais, porque os espinhos de tamanhos e de pontas duras, esses nunca eram nem sequer parecidos. Talvez aos olhos profanos fossem idênticos, mas para os apreciadores da dor, não. Peter era um intenso mergulhador no oceano das emoções. Mas ele detestava sentimentos.

Ele era obcecado pelo simples, ao mesmo tempo que fez da simplicidade um monstro. Que muitas vezes o devorou no silencio que existia, gravado, no meio de suas canções. Somente ouvidos iniciados podem captar isso.

Disseram a ele, que a coisa estava ficando nebulosa, e ele sentiu “medo de ter medo”, e então ele fotografou aqueles momentos bonitos e os levou com ele. E uma série de achismo ele experimentou. Mas seu coração sangrava compulsivamente, sua mente doía e os sorrisos eram forçados.

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Ganhei um presente perfumado, era cheiro da pele, do pelo. O perfume. Um encanto sarcástico, um pedido de toque, um desejo de lambida. Quem poderia imaginar que aquela roupa estaria tão marcada, e que restava em nós dois, junto da solidão a mesma coisa, abstrata e cheirosa.

Gosma na minha ensandecida parafernália energética. Uma aura serena, nervos endurecidos, sem tensão. Flor da noite aberta, caule grosso de planta carnívora. O sereno da madrugada. Nossas mãos e nossa taça, um samba ou um rock? Não sei, mas alguma coisa gostosa de se ouvir tocava no radio, levando pelo ar os sons das notas, junto dos nosso; sussurros.

Tenro.

Cristian Costa.

 

( foto- a incrível Nina Simone )

Bobagem. Eu disse para mim mesmo repetidas vezes que não voltaria a ficar minhas manhãs e tardes, na frente daquela janela. Esperando. Esperando alguém ou alguma coisa que eu não fazia menor idéia a respeito. Eu jurei junto das lagrimas quentes que escorriam dos meus olhos ardidos, que desta vez nada iria me derrubar. E que eu nunca mais deixaria de escutar todos aqueles blues chorosos de tristeza, porque eles me emocionam, e me fazem bem.

Eu não vou cortar meu cabelo para parecer masculino, e nem deixar ele crescer para parecer feminino, mas vou deixa-lo desarrumado como um ninho, onde dentro dele se criam as mais fabulosas idéias, daquilo tudo que os profanos resumem como sendo Deus, o Universo, a grande Alma, o Poder Maior. Mas na verdade é só a Natureza, portadora do natural de todas as coisas. Estas que fundo são uma só. Em to pan.

Não sou religioso, sou espiritual, sou uma coruja e sou um rato, e eu tenho certeza de que minha alma esta certa disso. Meu corpo quente algumas vezes entra em espasmo quando encontra todos esses sentimentos gelados, que vem do ego dele.

Mas meu corpo não morre, ele tem um tempo de garantia. Uma boemia a se viver, uma fé a se manter, um monte de datas comemorativas pela frente.

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Eu não fujo à regra, porque depois que escrevo, desejo sim; ser lido. Mas por que?

No meu caso especifico, sou um exibicionista. Todos sabem. E esse “todos” é muitas vezes a razão mais gostosa que experimento.

As vezes finjo em mim delicadeza onde não tem. Eu sempre achei a delicadeza interessante, porém a rispidez sempre será mais prazerosa, ao menos para mim, na minha vida. Mas para comigo mesmo eu finjo, finjo e finjo. Não existe liberdade em cima do tapete empoeirado.

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Te conheci no cinema,

Fui te ver depois daquele doce telefonema

( Elee ligou com aquela conversinha… de que gostava de assuntos místicos, quando em seguida deixou estrategicamente escapar sobre bissexualidade. Definitivamente eu gosto de caras como ele, não tenho mais paciência para a negação. A idade me aperfeiçoou. )

Senti a pressa da tua conversa, eu te disse para se acalmar,

Pois sou quem tu escolheu e não quem te restou

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Ele tirou a camisa e eu vi sua barriga depilada, e então pensei; “você esta falido baby”. Não ouve grandes conseqüências nem impotências, as coisas saíram bem, mas eu não gostei de verdade.

O corpo dele é tão bonito, mas é era como se todas as rosas do jardim tivessem sido assassinadas. Por que ele fez isso?

Tomamos aquela bebida morna feita de morangos e conversamos trivialidades. Fomos ao ponto. Não acertamos nossos ponteiros, mas entendemos que o sexo pode acontecer outras vezes. Queremos?

Eu não sei, eu gosto do modo com ele mexe os braços e fala alguns palavrões. Mas eu não gosto do fato dele ser tão depilado.

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Mais um texto que fiz, sobre ela; Mary. E ela falando por ela mesma, por nós dois. Eu e ela. Somente.

Eu não quero mais ficar sobrecarregada, eu já entendi que não consigo fazer tudo que quero mesmo, então ficar pensando, refletindo e me martirizando não vai me trazer nada além de dor. Minhas inclinações sadomasoquistas não vão mais sair da cama. E eu estou amarrando-as todas ali, na cabeceira, no ferro duro. Ah! Estou cansada de mim mesma e de todos os complexos que me trago. Não tenho mais vocação para bondade ilusória. Já fui uma freira de compaixão e auto abandono, achando que falando do espírito o corpo físico também ficaria feliz. Que bobagem, que estúpida eu fui.

Amor não é sexo. Espírito não é carne. Ambos se completam, mas todos precisam de tratamento, todos eles precisam de rajadas de prazer.

E eu sei de tudo isso. Eu acredito em tudo isso.

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Não sei se precisamos de suplementos, mas sei que de ego poucos entendem.  Vejo as pessoas mudarem a metafísica para justificarem seus impulsos, como se tudo fosse Alma. Tolice! Mas elas são interiormente inquietas. Possuem uma baixa estima cortante e uma grande necessidade de doces, que alimentam sua diabete psíquica e danosa.

Eu tenho ego não domado, mas não sou resistente em crescer de verdade, nem tenho uma vaidade enlouquecida.

Eu quero pedaços de muitas coisas, para depois colar tudo e fazer o meu próprio inteiro. Ainda não sinto a minha alma lavada, mas necessito de cada vez menos coisas para sorrir. Estou aprendendo a rir da maldade. A me focar na parte boa das coisas, descaracterizando a frieza. Ser frio nunca será positivo. Pessoas muito frias não cuidam bem de si mesmas, ao contrário do que pode parecer.

As pessoas precisam saber lidar com a frieza daqueles que não sabem, isso sem se tornarem frios também. Mas quero distancia do meu lado dramático e meloso, quero aquele ponto de harmonia que existe e que é tão almejado. Não falo de paz comum, mas da sensatez das emoções puras, refinadas. Sentimentos de força e de Amor. A fraqueza nunca teve beleza, nela impera o mimo.

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Este texto foi criado por mim, quando fui procurado por uma energia “misteriosa”, que cogito quem seja. Não posso dizer que ela ditou esse texto, mas afirmo que ela se conectou comigo, na mesma freqüência, e eu escrevi para ela, seguindo as suas sensações, desejos e vontades. Não me peçam para explicar esse texto, mas ele realiza a sua finalidade existindo.

Você não saía para rua porque não queria, mas por varias vezes me mandava ir la brincar, mexer com o pessoal. Quem você pensa que é? Eu gosto tanto de você, mas não fui gerado para isso. Muito pouco alimento e muita tarefa. E depois da ferrugem tive que encontrar o óleo sozinho.

Definitivamente eu uso palavras que não são suas, e isso porque não somos a mesma pessoa. Quando você me exteriorizou você me tornou alguém, alguma coisa que não você.

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Todos os dias eu ganho uma ruga nova, algumas somem e outras não. Mas elas ainda estão suaves. Todos os dias eu me vejo mais depreendido, mas ainda despreparado. Como lidar com isso? Não com as rugas mas com o inesperado dentro e fora de si mesmo.

Meu namorado, meu amigo, minha amiga e eu, entendemos sobre os espíritos e sabemos como os rituais funcionam, mas não deixamos que as coisas sejam plenas. Porque somos muito medrosos. Somos muito magoados com nossa própria historia individual. Temos sensações diversas sobre a mesma coisa. Falamos versões diferentes sobre nossas escolhas, para cada ser humano embriagado que encontramos pelo caminho.

Eu me vejo neles em vários aspectos, e sei que eles se encontram em mim, no beijo, no abraço, no tom, no som, na maestria do esplendor da vida, que compartilhamos.

Ontem sentei na cadeira azul de madeira velha, e conversei comigo, e achei que eu falo bonito, que me expresso com intensidade. Eu gostei tanto de mim sendo daquele jeito. Será que mais alguém me vê assim?

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Este texto é escrito com meu “ eu feminino “, é continuação de outro texto meu chamado “ Mary – tchau “.  Dedico ele em especial a minha amiga Rose Winter que me incentivou a escrever mais sobre este texto.

Link da primeira parte;  CLIQUE AQUI

 

Pois hoje estou me sentido uma centelha do vazio, ou seja; vinda do vazio e feita de nada. Mas isso não é ruim, porque estou insensível. Não sinto culpa nem indignação nem coisa alguma. Será que aprendi finalmente esta arte de atuar para com minhas verdades?

Humm. Não sei, mas não vou contestar, a coisa esta funcionando, me sinto segura, desnuda e não tímida. Me sinto fria como gelo e moldável como água…

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