( foto- a incrível Nina Simone )
Bobagem. Eu disse para mim mesmo repetidas vezes que não voltaria a ficar minhas manhãs e tardes, na frente daquela janela. Esperando. Esperando alguém ou alguma coisa que eu não fazia menor idéia a respeito. Eu jurei junto das lagrimas quentes que escorriam dos meus olhos ardidos, que desta vez nada iria me derrubar. E que eu nunca mais deixaria de escutar todos aqueles blues chorosos de tristeza, porque eles me emocionam, e me fazem bem.
Eu não vou cortar meu cabelo para parecer masculino, e nem deixar ele crescer para parecer feminino, mas vou deixa-lo desarrumado como um ninho, onde dentro dele se criam as mais fabulosas idéias, daquilo tudo que os profanos resumem como sendo Deus, o Universo, a grande Alma, o Poder Maior. Mas na verdade é só a Natureza, portadora do natural de todas as coisas. Estas que fundo são uma só. Em to pan.
Não sou religioso, sou espiritual, sou uma coruja e sou um rato, e eu tenho certeza de que minha alma esta certa disso. Meu corpo quente algumas vezes entra em espasmo quando encontra todos esses sentimentos gelados, que vem do ego dele.
Mas meu corpo não morre, ele tem um tempo de garantia. Uma boemia a se viver, uma fé a se manter, um monte de datas comemorativas pela frente.
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