As vezes parece que estou morto. Não no quesito estagnação ou não realizar. Mas quando ando na rua pela manhã, deixando a fria e fina chuva tocar meu rosto, e sigo olhando reto para o horizonte. Parece que estou desencarnando… devido tamanha a sensação de transcendência.

É como se eu estivesse fazendo a travessia. Rumo ao desconhecido. Rumo ao alem. Repleto de leveza.

Nunca ninguém me explicou sobre isso e nunca ninguém vai, mas eu voltei a amar a chuva. Primeiro eu nada sabia a respeito e buscava com ânsia uma resposta, depois eu abandonei o meu amor e agora eu voltei para ele. E eu não perderei tempo me perguntando sobre os significados dessa relação.

Enquanto ela me molhava eu refletia sobre a dor, aprendizado e tempo. E pode parecer utópico mas o caminho da dor, embora mais desgastante ele me pareceu mais rápido. Porém eu me refiro a dor como autos sacrifícios do ego, e não no aspecto de aprovações religiosas.

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Os pregos são inimigos das minhas mãos, eles machucam minha carne. Esfacelam os ossos que encontram pelo caminho.

Quando eles entram, eles não possuem piedade. Pregos enferrujados que me fazem mal. Eles não podem morrer, eles só podem matar.

Quando algum demônio interno prega algum deles em mim, eu nunca mais me livro dele. É doloroso demais traze-lo para fora novamente.  E a ferrugem se espalha rápido. A ferrugem faz a minha pele enrugar, meus dentes caírem e meus cabelos embranquecerem.

É como um vírus da morte e da dor.

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Este texto eu criei usando o “eu” feminino. É uma brincadeira, uma escrita real porem criativa, solitária no sentido de sem verdade. Mas real no sentido de não ser mentirosa. Uma contradição arbitraria, para o blog.

Meu nome é Mary. Deus me fez para ser um laboratório de emoções; tristezas, alegrias, medos, paixões e tantas outras coisas. Todas elas são conservadas dentro de mim. Exatamente por isso que não ligo para quando as pessoas me chamam de dramática, fantasiosa, medrosa, tímida. Eu sou o que fui feita para ser; um reservatório de impulsos, guiados por um instinto. Um cérebro limitadamente pensante. Uma bobagem tentando ter validade ancestral. Uma filosofia paranóica.

Eu tenho uma vida mediana. Nasci para ficar em cima do muro, entre a felicidade e a utopia do auto abandono. Sofrer sem contar. Ter sonhos e acordar sem eles. Adoecer e buscar a fé para melhorar. Comer, dormir, transar e sempre amar.

Ontem a noite eu perdi parte da minha verdade. Na minha cara pálida de pele manchada, jogaram rajadas de um ego cortante, senti em meu rosto um tapa, de uma mão invisível feita de cacos de vidro.

Meus ouvidos foram receptáculos de palavras cheias de moléstias, coisas como; “você esta assim porque sabe que nunca diria que te amo, como amo a outra”, “nunca faria por você o que estou fazendo por ela”. E mais uma vez eu tive sentar minha ânsia e calar o meu desespero. Como todas as outras vezes eu precisei ser sensata, porque se eu não entendesse que o ego dele precisava dizer aquilo, ninguém mais entenderia. E seria catastrófico. Para mim, para ele. Para o nosso mundo co-criado e espiritualmente doente.

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Dilacera minha insensatez, já que você é minha ilusão inacabada.

Se sobresaia na minha tendência à inocência, faça o que tiver que fazer. Pois preciso conhecer mais de você.

Preciso deixar escorrer das minhas mãos quentes,a  idéia que fiz de tua persona.

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